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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sugestões de Projetos

Orientações para divulgação de projetos, procedimentos, práticas e ações

A análise do material coletado junto às escolas permitiu que observássemos um conjunto de projetos e práticas que tem se mostrado positivas e com potencial de contribuir com a proteção escolar, a melhora do clima geral das escolas e a disseminação de uma cultura de paz.

Considerando a necessidade e a importância de que todos os projetos contemplassem os critérios listados abaixo, optamos por selecionar 8 (oito) para divulgação entre as escolas.
Não obstante, vários procedimentos, práticas e ações – que, por vezes, estão inseridas em projetos específicos – foram considerados interessantes e adequados e são também indicados para divulgação.

Os projetos e, sobretudo, os procedimentos devem, primeiramente, ser apresentados e discutidos nas respectivas DEs e, apenas posteriormente, divulgados nas escolas.
Parte-se do entendimento de que a aceitação desses projetos e procedimentos, bem como a sua efetiva implementação é uma decisão que cabe à equipe gestora da escola, que, conhecedora da realidade local e das condições e recursos disponíveis na escola, tem plenas condições de avaliar se o projeto é pertinente e tem aderência àquela realidade.

Vale lembrar ainda que:
1.    Sempre que houver professor mediador e comunitário (PMEC) na escola, este pode ser acionado pela equipe gestora como um agente que auxilie na implementação desses projetos e práticas, já que é da essência de seu trabalho zelar pela proteção escolar e pela disseminação de uma cultura de paz nas escolas

2.    Há projetos e práticas que – independentemente de estarem, no momento, fazendo parte do cotidiano das escolas – têm se mostrado necessárias e com potencial de contribuir com a melhoria das relações na escola. São elas:
  • Práticas esportivas, principalmente a organização de campeonatos inter-séries;
  • Aprimoramento do Programa Escola da Família;
  • Ocupação dos períodos de aulas vagas por ausência do professor, com atividades discutidas entre os alunos e / ou aproveitá-las para a discussão de problemas e propostas relacionados à proteção escolar.


Critérios de escolha dos projetos:
1.    Projetos abrangentes: capazes de beneficiar uma quantidade expressiva de membros da comunidade escolar.
2.    Transversais: capazes de integrar várias séries e ou disciplinas.
3.    Com clareza de propósitos / objetivos.
4.    Compatíveis com as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, e com os valores por ele preconizados; bem como por aqueles pretendidos pela SEE e pela SPEC.
5.    Pouco exigentes de recursos: que não demandem financiamento externo e ou aporte significativo de recursos humanos e materiais.
6.    Adaptáveis: aparentemente passíveis de serem replicados em outros contextos e situações.
7.   Bem formatados: com proposta objetiva o suficiente para serem compreendidos e implantados pelos gestores escolares.
8.   PROJETOS[1]

Projeto 1
Incentivo à formação de grêmios escolares

Objetivo: “facilitar e estimular a criação, o fortalecimento e a manutenção de Grêmios Estudantis, com base nos valores dos Direitos Humanos, da justiça social e da democracia”.

Justificativa:
As agremiações estudantis, tradicionalmente, têm um papel importante na socialização dos jovens e têm se mostrado como uma contribuição efetiva para a sua formação e o seu protagonismo político, além da disseminação de valores compatíveis com uma cultura de paz.
Algumas escolas, nas quais a equipe de credenciados da Fundap está acompanhando no âmbito do Projeto Piloto para a Proteção Escolar, apontaram que a existência de grêmios tem efetivamente cumprido este papel, com efeitos visíveis na melhoria do convívio interno, reforçando atitudes de maior respeito e solidariedade e um maior cuidado com o patrimônio.
Considerando:
o   que os projetos das escolas relativos a este tema nem sempre estão descritos de forma objetiva e com o detalhamento necessário à adaptação e / ou replicação das práticas por outras escolas;
o   e a existência de um projeto bem estruturado, e já testado em várias realidades escolares, elaborado pela OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Instituto Sou da Paz;
Optou-se por utilizar como referência para as demais escolas o material elaborado por esse Instituto
Assim sendo, sugere-se que a equipe de credenciados apropriem-se dos conteúdos abaixo indicados, bem como os divulgue entre as escolas.

Fontes de consulta para a implantação do projeto:
Links: downloads; assuntos; formação de grêmios, atuação com municípios
Textos:
a)    Caderno Grêmio em Forma: dirigido para alunos;
b)    Guia Grêmio em Forma: dirigido para professores, coordenadores e diretores de escola;
c)    Texto: O papel dos grêmios estudantis na redução da violência – Daniel Tojeira Cara (2004).


Projeto 2
Meio ambiente da escola

Objetivo: contribuir com a formação de consciência ambiental na comunidade escolar por meio de práticas relacionadas à preservação e ao embelezamento do espaço físico; à coleta seletiva de lixo; à redução do consumo de água etc.

Justificativa:
A discussão da preservação do meio ambiente tem ganhado espaço nos mais diversos fóruns, estando cotidianamente presente nas discussões das políticas governamentais, na mídia e, mesmo, nas rodas de conversa informais.
A percepção de que o meio ambiente não é algo estranho a nós - associado, por exemplo, à conservação de matas nativas, animais, aquecimento global etc. – está sendo objeto de diversas intervenções, incluindo iniciativas bastante promissoras.
Entre elas, destacam-se projetos, publicações e atividades desenvolvidas pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e por organizações não-governamentais, a exemplo do SOS Mata Atlântica[2].
As escolas são um local privilegiado para a discussão das condições do meio ambiente e podem servir como um espaço para reflexão sobre como cada um pode, por meio de atitudes simples e cotidianas, fazer a diferença no todo.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Segue abaixo um conjunto de sugestões de atividades.
  • Organização de grupos de grafitagem, com apresentação de projetos para a pintura de parte das paredes das escolas;
  • Realização de mutirões de pintura;
  • Organização de mutirões de limpeza e conservação de classes;
  • Organização de coleta seletiva de lixo, com possibilidade de venda do lixo reciclável que reverta para a conservação da escola;
  • Organização de mutirões para plantio de árvores na escola e no entorno;
  • Confecção de horta no terreno da escola;
  • Promoção de discussões sobre o tema meio ambiente, por meio de filme “A ilha das flores”, disponível na internet http://tr.im/sert6006.;
  • Montagem de uma composteira, no âmbito de uma discussão sobre destino de resíduos sólidos;
  • Proposição de realização de pesquisas (com participação voluntária) e premiação de iniciativas que tenham potencial de melhoria do meio ambiente da escola e entorno.


Projeto 3
Anti-bullying

Objetivos:
  • Contribuir para o combate de práticas intencionais de agressão, veladas ou explícitas, verbais ou físicas, que ocorrem no ambiente escolar entre os membros da comunidade.
  • Colaborar para a disseminação de valores imprescindíveis para a convivência escolar e em sociedade, como o respeito à diversidade e a não utilização da violência como linguagem.

Justificativa:
De origem norte-americana, bullying (do inglês bully = valentão) é um conceito que busca abarcar de todo um conjunto de comportamentos que envolvem intimidação. Pode ser definido como “um comportamento explícito e agressivo que é intencional, causa danos (físicos e/ou psicológicos) e é repetitivo” (Beane, 2009) ou “um desejo consciente e deliberado de maltratar outra pessoa e colocá-la sob tensão” (Tattum & Herbert, 1993 apud Hyden & Blaya, 2002).
Embora entre os agentes que atuam nas escolas seja recorrente o discurso de que o bullying sempre existiu, a literatura sobre o tema aponta para a sua atual potencialização, gerando conseqüências mais drásticas e envolvendo a utilização das redes sociais virtuais, amplamente utilizadas por crianças e jovens. Recente pesquisa de abrangência nacional (CEATS, 2010) apontou que mais de 10% dos estudantes brasileiros dizem sofrer bullying e quase 30% sofreram algum tipo de mau-trato no último ano.
Diante desse quadro, parece inaceitável que a ocorrência do bullying, com ou sem agressão física, não seja prevista e enfrentada por um sistema de proteção escolar.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Independentemente das atividades consideradas mais adequadas ao contexto da escola, é pressuposto que professores, coordenadores, diretores e funcionários da escola, em geral, estejam preparados para identificar e lidar com situações de bullying.
Para tanto, o aprimoramento da escuta, o trânsito pelo ambiente escolar nos momentos de intervalo de aula, a leitura de material informativo (a exemplo do apresentado pelo Programa da SEE “Prevenção também se ensina”) e a discussão nas HTPC de situações ocorridas de bullying vivenciadas na escola parecem ser de fundamental importância.
Segue abaixo um conjunto de sugestões de atividades para serem desenvolvidas com os alunos, que foram selecionadas a partir de vários projetos anti-bullying já implantados em escolas da rede estadual de ensino.
  • Realização de reunião com pais e alunos para explicar o que é bullying e informar a preocupação e a intenção da escola em intervir no sentido de minimizar o problema.
  • Formação de uma comissão anti-bullying na escola, com representantes de professores e funcionários e de um ou dois alunos de cada classe, escolhidos por seus pares e dispostos (voluntariamente) a envolver-se no projeto.
Essa comissão terá o papel de:
    • Realizar um levantamento / pesquisa na escola para mapeamento da situação de bullying. Esse levantamento deve ser feito por meio de questionário (poucas questões fechadas), sem identificação do respondente, no qual se identifique a dimensão do problema: quantos alunos se sentem vítimas de bullying; em que contexto etc. Os resultados da pesquisa poderão ser apresentados aos alunos em sala de aula e ou por meio dos murais da escola e servir de estímulo à discussão da questão.
    • Promover campanha anti-bullying por meio da confecção de cartazes e organização de apresentações de filmes que abordem o tema.
    • Identificar situações de bullying específicas e relatá-las em reuniões da comissão, para discussão de possibilidades de intervenção, fazendo, posteriormente, o acompanhamento dos casos reportados.
    • Portar-se como referência no caso de alunos que queiram conversar de forma reservada sobre problemas específicos, relacionados ao bullying, encaminhando o problema para os atores competentes, conforme o caso.
  • No início de cada semestre, combinação de normas coletivas de boa convivência na escola. Essa combinação pode ser de forma democrática, em reunião com os alunos em grupos inter-classes, mas com faixas etárias equivalentes.
  • Promoção de estímulos para que os alunos reflitam sobre o tema em sala de aula, usando o bullying como foco de atividades pedagógicas; por exemplo, nos trabalhos de escrita (redação: “e se fosse você?”) e leitura compartilhada.
  • Proposição de realização de uma pesquisa sobre bullying entre os alunos de ensino médio (participação voluntária) com possibilidade de apresentação dos resultados para toda a comunidade. Esses resultados poderiam ser apresentados de duas formas:
    • Como um projeto de criação coletiva, por meio da montagem de uma peça ou da elaboração de um vídeo / exposição de fotos, por exemplo.
    • Como um livro com os textos dos alunos, editado pela escola.
  • Mediação das situações de bullying por meio de rodas de conversas com os envolvidos, após conversas individuais com as partes.


Projeto 4
Aprender conhecendo a comunidade (base: Projetos Jovens Urbanos)

Objetivo:
Proporcionar que crianças e jovens conheçam as localidades onde vivem e se reconheçam como agentes de mudança dessas localidades.

Justificativa:
Tendo por base ações semelhantes às propostas no Projeto Jovens Urbanos[3], algumas escolas têm desenvolvido ações nas quais crianças e jovens são motivados a estudar o meio onde vivem (e ou vivem seus colegas), buscando: entender as suas características; mapear seus equipamentos sociais e culturais; desvendar e refletir sobre seus problemas; e identificar formas de participação que remetam à melhoria das condições locais.
Tem-se como premissas que o (re)conhecimento do espaço potencializa a sensação de pertencimento a uma comunidade, bem como é capaz de motivar a participação e a geração de atitudes favoráveis à melhoria das condições sócio-culturais locais.
Por outro lado, acredita-se que o desconhecimento, e / ou o não-reconhecimento do espaço como parte do seu próprio universo está relacionado ao descaso, à alienação e ao não respeito pela diversidade e pelos direitos individuais e coletivos.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Segue abaixo um conjunto de sugestões:
  • Identificação de como os alunos (e ou toda a comunidade escolar) percebem o local onde vivem: o que conhecem; com quem se relacionam; o que fazem; locais que frequentam; o que gostam; o que não gostam; o que sentem falta; o que temem etc. Essa atividade pode ser realizada por meio de rodas de conversas ou escrita.
  • Proposição de estudos do meio na própria localidade. Estes devem ser organizados previamente (o que observar, o que perguntar etc.), mas podem ser realizados em saídas coletivas (toda a classe ou pequenos grupos) ou individuais. O importante é que os alunos reconheçam o ambiente e tragam elementos para discussão na escola. O apoio de câmeras fotográficas, gravadores para realização de entrevistas e outros recursos dessa natureza é desejável, mas não imprescindível.
  • Proposição de apresentação do material coletado, buscando comparar o “antes e depois” do estudo.
  • Proposição de elaboração de uma representação do espaço – construção de maquetes, por exemplo – elaborada de forma coletiva e exposta para a comunidade escolar.
  • Realização de reflexões sobre o estudo e as experiências decorrentes das atividades anteriores e escolha de uma área ou tema de intervenção coletiva. Sugere-se que os pontos de partida para essa escolha sejam baseados nas reflexões: “o que queremos mudar e o podemos fazer para isso”.
  • Elaboração de um projeto de intervenção, com atividades, metas e prazos de implantação e de acompanhamento.
  • Apresentação dos resultados para a comunidade.

Fontes de consulta para a implantação do projeto:
Texto: Jovens Urbanos - Sistematização de uma metodologia (2008).


Projeto 5
Vídeo 60 segundos: como eu queria que fosse minha escola

Objetivo: estimular a reflexão sobre as necessidades da comunidade escolar e a sua expressão de forma criativa, buscando, por conseqüência, gerar atitudes promotoras de mudanças.

Justificativa:
O fato de passarem grande parte de seu tempo diário na escola, e nela vivenciarem um conjunto de experiências significativas para a sua vida futura, torna esse ambiente um local privilegiado para crianças e adolescentes refletirem sobre seus desejos, perspectivas e valores.
É relevante que faça parte dessa reflexão a problematização do que acontece no espaço escolar: sejam aspectos relacionados à infraestrutura, às normas de conduta, às condições de aprendizagem e às relações pessoais. As expressões de insatisfação, nesse sentido, podem assumir formas variadas, sendo, algumas delas, indesejáveis e geradoras de problemas ainda maiores, como é o caso de alguns conflitos com o corpo discente e o descaso com patrimônio da escola.
Justifica esse projeto a percepção de que poder expressar-se em relação a esses aspectos, por meio de canais legitimados pela comunidade escolar, tende a ser uma forma de direcionar a reflexão e a insatisfação para formas propositivas, gerando sensação de pertencimento e atitudes mais positivas em relação ao ambiente da escola.

Propostas de atividades:
Os grupos de alunos devem ser, preferencialmente, inter-classes.
Os vídeos produzidos participam de um concurso, cujo regulamento define as condições e prazos de gravação e de apresentação e informa a legislação sobre direitos de veiculação de imagens.
A comissão julgadora poderá inserir pessoas de fora da escola, mas que tenham relação com a mesma e ou com o entorno.
Independentemente da premiação, todos os vídeos que cumpram os requisitos colocados no regulamento do concurso serão exibidos na escola no mesmo evento que fará a premiação dos vídeos selecionados. Este evento poderá ser aberto aos pais e comunidade (a critério da escola).
Os alunos poderão utilizar equipamento próprio (celulares e câmeras) ou equipamentos emprestados pela escola, de acordo com a disponibilidade local.


Projeto 6
Quem sou eu / quem é você

Objetivo:
Favorecer o relacionamento entre os alunos e entre estes e seus professores, propiciando um clima de maior familiaridade e bom convívio na escola.

Justificativa:
O projeto baseia-se na hipótese de que, na medida em que os alunos passam a se conhecer melhor e a conhecer a história de vida de colegas, familiares e professores, cria-se um laço afetivo que contribui para a redução de casos de bullying e para a geração de atitudes de maior respeito mutuo.
Nos locais onde já foi implantado observou-se uma redução de “panelinhas” nas salas de aula, um melhor entrosamento entre alunos e estes e os professores, além de maior freqüência e rendimento escolar.

Propostas de atividades:
Dirigido aos alunos das séries iniciais, que muitas vezes mal se conhecem, o projeto propõe a montagem de um álbum / anuário da classe, no qual cada aluno é convidado a participar, elaborando uma página sobre quem ele é: seus dados pessoais, fotos, poemas ou frases que gosta, hobbies, grupos ou músicas preferidas, programas que assiste, o que faz nas horas vagas e tudo aquilo que o descreva e que ele considere importante.
Os professores da sala são igualmente convidados a participar, o que tende a torná-los mais próximos dos alunos.
Quando pronto, cada aluno pode levar o livro para casa por alguns dias para conhecer melhor seus colegas e mostrá-lo à família.


Projeto 7
Adolescer – Amor nos tempos modernos

Objetivo:
Informar os alunos em relação às suas dúvidas sobre sexualidade e promover senso de responsabilidade sobre a saúde individual e coletiva, por meio de práticas preventivas de DST/AIDS.

Justificativa:
A transição da infância para a adolescência traz consigo um conjunto de dúvidas a respeito de aspectos associados à sexualidade que envolve desde como relacionar-se com os(as) parceiros(as) de forma afetivo-amorosa até os aspectos sobre a fisiologia humana e as práticas preventivas.
Ainda que ações dessa natureza sejam desenvolvidas com regularidade em programas da área de saúde nas unidades básicas, a escola aparece como um local privilegiado para discussão desses aspectos, tendo em vista o período e a intensa convivência de crianças e jovens no ambiente escolar, justificando-se uma intervenção específica nessa área.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Seguem abaixo um conjunto de sugestões de atividades.
  • Colocação de caixas de dúvidas onde os alunos possam, sem identificação de nome, manifestar suas dúvidas e anseios em relação à sexualidade. É desejável, nesse caso, que haja identificação de faixa etária, para que as respostas possam ser direcionadas em salas de aula.
  • Promoção de estímulos para que os alunos reflitam em sala de aula, com a organização de dinâmicas e escuta ativa relacionadas ao tema da sexualidade e homofobia.
  • Proposição e disponibilização de material informativo para leitura (boletins informativos, cartilhas, livros) e áudio visuais, a exemplo dos produzidos no âmbito do Programa “Prevenção também se ensina” e pela Organização Não Governamental ECOS – Comunicação em Sexualidade.
  • Organização de visitas dos alunos (coletivas e voluntárias) aos equipamentos de saúde da localidade que desenvolvem Programa de Saúde do Adolescente; e ou de agentes de saúde à escola para informação sobre o Programa.
  • Proposição de rodas de discussão quando algum tema relacionado à sexualidade aparece de forma negativa com destaque na mídia.
  • Proposição de realização de pesquisas sobre sexualidade entre os alunos de ensino médio (participação voluntária) com possibilidade de apresentação dos resultados para toda a comunidade escolar, por meio de peças, elaboração de vídeos, exposição de fotos, cartazes etc.


Projeto 8
Sonhar é possível

Objetivos:
  • Motivar o aluno a refletir sobre suas perspectivas de um futuro que seja pautado em valores éticos e de cidadania, tendo como base os saberes que adquire na escolarização formal e ou fora dela.
  • Auxiliar práticas de planejamento e foco para o alcance de objetivos.

Justificativa:
É recorrente entre os jovens de escola pública, com histórias de vida marcadas por situações de vulnerabilidade, a descrença na possibilidade de exercerem, no futuro, atividades que sejam reconhecidas por eles próprios como desejáveis e adequadas.
A falta dessa perspectiva, por vezes reforçada pelo universo familiar e pela própria escola, tende a tornar crianças e jovens menos confiantes em relação às suas potencialidades e minimizar seu senso de auto reconhecimento.
Decorrente disso, atitudes de indisciplina, desânimo com os estudos, agressividade e mesmo a desistência de dar seguimento aos estudos tendem a ser frequentes.
Intervir nessa perspectiva, tentando despertar nos alunos o desejo de busca por novas perspectivas de futuro, bem como ajudá-los no planejamento dessa busca, pode constituir-se num fator de proteção para eles e para todo o ambiente escolar.

Propostas de atividades:
Dirigido aos alunos do ensino fundamental II e médio, o projeto propõe que os alunos reflitam, inicialmente, sobre algumas questões, tais como: “qual é o seu sonho? O que você pensa em fazer para alcançá-lo? Em sua opinião, a escola pode contribuir para atingir esse sonho? De que forma? E a sua família?”
Essa reflexão pode ser estimulada de diferentes formas. Uma delas é por meio de filmes, tais como: “Quem quer ser um milionário”, “Billy Elliot”, entre outros.
Feita a reflexão, os alunos são convidados a reescrever seus sonhos na forma de metas que possam ser monitoradas por eles próprios ao longo do ano. Professores, professor mediador, coordenadores pedagógicos e direção podem auxiliá-los nessa empreitada.

PROCEDIMENTOS E IDEIAS DE ATUAÇÃO

Algumas observações iniciais:
1.    Alguns dos procedimentos e ações abaixo listadas dependem de condições específicas das escolas; entre as quais: recursos humanos e materiais, condições de infraestrutura, bom relacionamento prévio com o entorno etc.
Cabe, assim, a ressalva de que os procedimentos devem ser analisados caso a caso pelos supervisores de proteção escolar das DEs e, posteriormente, pelas equipes gestoras das escolas, que decidirão sobre a sua viabilidade e pertinência no local.
2.    Sempre que houver professor mediador e comunitário (PMEC) na escola, é seu papel protagonizar ações dessa natureza, de modo a que exerça plenamente os objetivos de sua atuação e não sobrecarregue a equipe gestora e os demais profissionais da escola com atividades que extrapolam as suas funções e peculiaridades.


Procedimento 1
“Palavras mágicas”

Objetivo:
Desenvolver o respeito e o cuidado no relacionamento escolar, a partir de atividades realizadas junto aos alunos do ciclo 1.

Justificativa:
O relacionamento no ambiente escolar cumpre papel fundamental para o processo educativo de crianças e jovens. Assim, a forma como elas tratam os demais e como se tratam entre si deve ser trabalhada a partir das noções de respeito e educação.
Para além de citá-los, o que é comum a maioria das escolas, a ideia é inserir as crianças menores – mais dispostas a atividades dessa natureza – em atividades lúdicas, para além da repetição de falas sobre boa educação.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser voltadas para as crianças do Ciclo 1 e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Seguem abaixo um conjunto de sugestões de atividades.
  • Montar uma caixa, na qual se podem colocar papéis escritos com palavras sugeridas pelos alunos;
  • Realizar atividades a partir das palavras escolhidas previamente pelos alunos, o que os faz participantes e, ao mesmo tempo, ajuda a entender como eles percebem o tema;
  • Incentivar os alunos que sortearam determinada palavra (obrigada, por favor, etc.) a utilizá-la ao longo do dia;
  • Incentivar os professores a lecionar textos que reflitam atitudes de respeito – se possível, textos que utilizem explicitamente a palavra sorteada pelos alunos;
  • Montar atividades como peças teatrais ou pequenas encenações nas quais a palavra seja utilizada e sua importância explicitada por meio do impacto sobre os personagens retratados. Por exemplo, uma cena que explicite como o respeito entre as pessoas é importante para o desenvolvimento da boa relação entre elas, evita brigas, desentendimentos, mal-estar de alguém que o aluno goste etc.


Procedimento 2
Discussões reflexivas com a comunidade escolar

Objetivo:
Trabalhar com um conjunto de alunos os conceitos mais importantes que permeiam suas relações, buscando entender e refletir sobre como elas são percebidas, as suas principais dificuldades e formas de torná-las mais positivas para todos.

Justificativa:
É recorrente os alunos se sentirem pouco acolhidos no ambiente escolar, tão importante para a sua formação. O fato das regras de convivência e aprendizado serem ditadas pela diretoria e/ou pelos professores pode trazer ao aluno a sensação de um mero cumpridor do papel a ele apresentado.
A idéia de realizar discussões reflexivas é abrir um espaço, com profissionais qualificados, no qual as crianças e jovens possam se expressar, trocar experiências e aprender como lidar com situações difíceis de seu dia-a-dia, inclusive na relação com a gestão escolar e o corpo docente.

Propostas de atividades:
  • Realizar, a cada 15 dias, com grupos de no máximo 20 alunos, encontros com profissional qualificado (pode ser, por exemplo, o professor mediador com qualificação para tal atividade) na qual os alunos possam se expressar e serem ouvidos;
  • Selecionar conceitos e idéias que sejam importantes para a reflexão junto aos alunos;
  • Fazer da atividade uma rotina para todo o grupo e não apenas para os alunos considerados “problema”. A idéia é que qualquer aluno pode encontrar dificuldades no relacionamento escolar e em outros aspectos de suas vidas, sendo a violência e a incivilidade umas das formas de se extravasar esses problemas.


Procedimento 3
Discussão de normas e condutas com os alunos

Objetivos:
Disseminar e conscientizar os alunos a respeito das normas de convivência da escola, informando o motivo de sua existência e, ao mesmo tempo, escutar sugestões e reclamações que possam contribuir para uma gestão escolar democrática.

Justificativa:
Não obstante possam conhecer as normas de conduta escolar, os alunos não se sentem como parte fundamental para que sejam devidamente aplicadas, nem tiveram oportunidade de discutir o motivo de sua existência. A partir de fóruns e reuniões específicos sobre o tema, é possível que os alunos se manifestem e, na interação com os gestores, possam assumir que essas normas têm como objetivo final a própria convivência produtiva e prazerosa entre todos, comprometendo-se com o seu cumprimento.

Sugestão de procedimento:
O formato das discussões pode ser o de reuniões ou de fóruns, de acordo com e estrutura e o planejamento local. É importante que não sejam apenas explicações a respeito das normas, mas discussões sobre ela, em que os alunos encontrem canais para a expressão de suas críticas e sugestões. É importante também, para que esse tipo de procedimento tenha resultado, que essas sugestões possam, caso façam sentido no processo de melhora da convivência, ser acatadas pelo corpo diretivo. Caso haja possibilidade, esse fórum pode envolver a comunidade escolar como um todo, com a presença de pais e responsáveis.


Procedimento 4
Mediação de conflitos pela equipe gestora

Objetivo:
Instaurar outra forma de resolução de conflitos que não se baseie exclusivamente na punição dos envolvidos, mas na responsabilização e na restauração como forma de criar um ambiente de convivência mais pacífico.

Justificativa:
A prática da justiça restaurativa e da mediação de conflitos tem sido apontada como uma das mais promissoras na gestão de conflitos. Diferente da perspectiva tradicional, que se apóia na punição como forma de solucionar e evitar conflitos, ela pressupõe que os conflitos são inevitáveis e que é a convivência pacífica deve ser alcançada por todos e não apenas pela autoridade constituída. No caso das escolas, é importante que os alunos envolvidos em conflitos ou com atos danosos sejam levados a refletir sobre as consequências dos seus atos, sua responsabilidade e as maneiras como poderiam restaurar os danos que infligiram aos demais. A mediação não exclui a prática da punição, apenas apresenta uma alternativa de resolução dos conflitos.

Execução:
Não obstante se apresente como uma postura diferente frente aos conflitos, a mediação demanda capacitação e preparo dos executores para que seja aplicada com responsabilidade. O formato de roda de discussão é apenas um dos possíveis para a mediação. Sugere-se que seja feita a leitura dos textos Conflito e Violência: O que a escola tem a ver com isso?, de Mônica Mumme e Justiça Restaurativa, de Cristina Meirelles (constantes no CD de capacitação entregue aos credenciados no início do projeto).


Procedimento 5
Espaço de livre expressão dos alunos (“O espaço é nosso”)

Objetivo:
Oferecer aos alunos um espaço de expressão visual livre e com visibilidade, buscando aumentar a sensação de pertencimento e cuidado com o ambiente.

Justificativa:
As escolas não costumam oferecer espaços de expressão visual aos alunos. Quando querem fazê-lo, muitas vezes os alunos lançam mão da pixação ou do vandalismo. Uma maneira de aumentar o cuidado com a escola e, ao mesmo tempo, incentivar a expressão visual, é permitir que espaços sejam utilizados como canais de livre expressão, constantemente renovados.

Sugestões de ação:
Uma das formas mais simples para por em prática esse espaço é um mural num local de grande visualização da escola (não adianta ficar num local escondido). Embora seja livre, a utilização do espaço de forma racional exige algumas condutas que devem ser coletivamente construídas em reuniões com os alunos. As normas não podem ser rígidas demais, de forma a cercear a livre expressão dos alunos, mas também devem permitir que todos se expressem de maneira compatível com a educação e a boa convivência.
O espaço deve ser periodicamente renovado, pelo menos quinzenalmente, o que torna o projeto mais dinâmico e abre espaço para que mais alunos possam preenchê-lo.


Procedimento 6
Envolvimento da comunidade na manutenção da escola

Objetivos:
  • Contribuir para a manutenção da ordem e para a arrumação do ambiente escolar, garantindo que a escola seja um ambiente cuidado e receptivo;
  • Fomentar nos alunos e nos seus pais e responsáveis a sensação de respeito e pertencimento, apontando para a importância do seu protagonismo na construção de uma escola bela e agradável.

Justificativa:
A manutenção da estrutura física da escola é muito importante para um clima positivo nos relacionamentos e no processo educativo. É bastante perceptível que em escolas mal cuidadas, com estrutura física abandonada, há pouco incentivo para os alunos cuidarem do espaço no qual estão inseridos. Não só porque a bom estado serve como exemplo para os alunos, mas principalmente porque, ao encontrarem o espaço bem preservado, os alunos se sentem mais acolhidos e responsáveis.
A Secretaria de Estado da Educação, reconhecendo essa premissa, já desenvolve o “Programa Trato na Escola”. “um projeto especial que tem como objetivo proporcionar que as escolas comecem o ano novo com cara nova, o que envolve desde a pintura dos prédios, projetos paisagísticos, pequenos reparos até a higienização das unidades.
Segundo a SEE, “a participação da comunidade na iniciativa já é uma tradição. Todos os anos pais e alunos somam esforços à Secretaria para que a volta às aulas aconteça num ambiente agradável, o que favorece o processo educacional”.
Enfim, o envolvimento da comunidade nesse processo tende a ter efeitos muito positivos: promove uma maior interação entre escola, pais e alunos; bem como contribui para que a comunidade se sinta parte da escola, demonstrando orgulho por isso, e que possa transmitir tal sentimento para seus filhos e parentes.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a disponibilidade da comunidade e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
  • Agendar com os pais ou responsáveis alguns dias, com alguma periodicidade (por exemplo, um sábado por bimestre), nos quais eles estejam na escola para colaborar com pequenos consertos e melhorias que são capazes de executar (pintura, arrumação, jardinagem etc.);
o   Realizar, concomitantemente ao trabalho, atividades de interação, como um almoço coletivo (no qual cada um poderia trazer algum alimento ou bebida) ou uma atividade lúdica, como uma apresentação de música dos alunos, um teatro, esportes etc.;
É importante garantir que essas atividades sejam vistas e realizadas, não como uma transferência de responsabilidade pelo espaço escolar para os pais e a comunidade, mas como um processo de aproximação e contribuição para garantia dos cuidados que a escola e, principalmente, como algo que os alunos merecem.
Entre as ações listadas no Programa Trato na Escola, destacam-se:
  • “Pintura
  • Serviços nas instalações hidráulicas (troca de torneiras avariadas, tubos flexíveis, reparo de válvulas, troca de cubas e louças sanitárias);
  • Recolocação de pisos e azulejos faltantes;
  • Substituição de fechaduras, tambores, maçanetas, dobradiças e trincos;
  • Desentupimento de tubulações de esgoto;
  • Troca de vidros;
  • Remoção de entulhos;
  • Limpeza de canaletas junto aos muros de arrimo e/ou divisa;
  • Limpeza de galeria de águas pluviais;
  • Limpeza de calhas e coletores;
  • Limpeza e impermeabilização de caixa d'água;
  • Limpeza e desobstrução de fossas sépticas;
  • Limpeza de caixas de gordura;
  • Limpeza geral das áreas comuns, salas de aula e banheiros;
  • Manutenção e conservação de jardim;
  • Higienização sanitária;
  • Conserto de portões;
  • Substituição de portas de madeira, batentes e lambril;
  • Conserto e aquisição de grades e telas de proteção para portas e janelas;
  • Conserto de equipamentos da quadra de esportes;
  • Aquisição de telhas para reposição
  • Limpeza e troca de carvão dos filtros de bebedouros;
  • Aquisição e instalação de divisórias e toldos;
  • Recarga de extintores de incêndio;
  • Reposição de forros;
  • Aquisição e instalação de alambrado;
  • Aquisição de vasos de plantas;
  • Aquisição de bancos de concreto para jardim.


Procedimento 7
Busca de diálogo com os pais de alunos com problemas de frequência, indisciplina etc.

Objetivo:
Tentar estreitar a relação da escola com os pais ou responsáveis de alunos que não têm frequência, comportamento ou performance satisfatórios, de forma a demonstrar que há interesse genuíno da escola no cuidado com esse aluno.

Justificativa:
Um relato muito comum dos gestores e docentes escolares é que os pais de alunos que frequentam as reuniões propostas são aqueles cuja performance e o comportamento são menos problemáticos. Assim, pais ou responsáveis de alunos com problemas de evasão ou comportamento se mantêm ainda mais afastados da escola. A ideia desse projeto é buscar um canal de diálogo com esses pais, buscando compreender problemas que podem estar relacionados à conduta dos alunos e, assim, aumentar a sensação de pertencimento.

Procedimento sugerido:
  • Identificar os alunos que estão com problemas pedagógicos e/ou comportamentais, além daqueles com alto índice de ausências.
  • Contatar os pais com o intuito de estabelecer relações; ou seja, não como uma denúncia do comportamento do filho, mas para construir possibilidades de mudança do cenário.
  • Caso o gestor perceba necessidades não atendidas, orientar os pais ou responsáveis no sentido de buscarem apoio na área de seguridade social, saúde ou assistência legal.
Caso a gestão escolar considere necessário, e desde que haja recursos humanos e materiais disponíveis na escola, esse procedimento pode incluir a programação de visitas às famílias.
Também é importante considerar a necessidade de contatos com o Conselho Tutelar da localidade, em casos de ausência continuada do aluno, bem como na identificação de casos de omissão, abandono e ou maus tratos por parte dos pais.


Procedimento 8
Música e celular são legais!

Objetivo:
Por meio da própria música, conscientizar os alunos para o uso adequado dos aparelhos celulares no ambiente escolar, melhorando o clima geral da escola.

Justificativa:
A utilização de dispositivos para ouvir música, agora contemplados em boa parte dos telefones celulares, é considerada um grande problema nas escolas. Além de trocarem mensagens e conversarem, os alunos ouvem música durante as aulas ou outras atividades escolares (laboratório, sala de leitura, esportes etc.), o que cria sérios problemas.
Por meio de reuniões com os alunos sobre o uso adequado desses aparelhos, parece possível permitir que os alunos ouçam música, desde que essa prática se restrinja aos períodos de intervalos ou outros períodos livres. Dessa forma, pode-se suscitar a percepção de que essa é uma prática rica e prazerosa, desde que feita em momentos adequados, sem prejudicar o grupo que o cerca.

Atividades propostas:
Junto de reuniões a respeito da utilização do celular, identificar os gostos musicais dos alunos e, com a utilização de equipamentos da própria escola, executar músicas durante o intervalo e outros momentos livres oportunos. O ideal é que haja revezamento de estilos e que todos sejam, em algum momento, contemplados, o que também serve como estímulo à diversidade cultural.


Procedimento 9
Presença da equipe escolar no intervalo

Objetivo:
Intensificar a interação entre o corpo administrativo da escola e os alunos, além de supervisionar com mais cuidado um período de atividade livres, no qual é mais comum a ocorrência de conflitos violentos ou práticas danosas, como o bullying.

Justificativa:
O intervalo é o período no qual os alunos têm mais liberdade durante a jornada escolar. Embora seja fundamental que essa possibilidade seja garantida, é nesse período que ocorrem muitos conflitos violentos entre os alunos, principalmente aqueles que envolvem a submissão de alguns, como a prática do bullying.
A presença da equipe durante todo o intervalo pode ser não apenas uma forma monitorar esses conflitos, mas também – e principalmente – uma oportunidade para intensificar a relação com os funcionários e com a direção da escola.

Proposta de ação:
Tem-se clareza de que essa prática depende de a escola contar com recursos humanos suficientes e com a disponibilidade prévia da comunidade, não podendo tal ação ser imposta aos funcionários de qualquer nível que não tenham tal obrigação.
Ainda assim, o ideal é que haja participação de diversos membros da equipe escolar, ainda que em caráter de revezamento, e não apenas dos agentes de disciplina (inspetores). Outro ponto fundamental é que essa presença seja marcada por conversas e outras formas de relação com os alunos e não como um dispositivo de vigilância que busca restringir a liberdade, o que fugiria completamente do seu espírito original.


Procedimento 10
Presença dos professores nas salas de aula antes da entrada dos alunos

Objetivo:
Melhorar a interação entre professores e alunos por meio de uma rotina de troca de aulas mais amistosa e que diminui o período de espera ociosa dos alunos.

Justificativa:
Os alunos, usualmente, permanecem um tempo considerável ociosos, aguardando a presença do professor em sala de aula. Nesse período podem ocorrer atitudes de indisciplina e agressivas sem qualquer tipo de supervisão.
A presença do professor em sala de aula, antes do aluno, tem um caráter tanto de acolhimento, quanto de acompanhamento. Os alunos tendem a se sentir relevantes, percebendo a importância que o professor e a escola lhes conferem.

Forma de aplicação:
Tem-se clareza de que essa prática depende de a escola contar com recursos humanos em número suficiente e com a disponibilidade prévia dos professores, não podendo tal ação ser a eles imposta.
Considerando tais aspectos e os resultados alcançados por escolas da rede estadual que adotaram tal prática, sugere-se que a partir de uma iniciativa dos gestores das escolas, seja acordado entre os professores que o deslocamento para a sala de aula seja, sempre que possível, feito antes do horário de início da aula.


[1] A descrição dos projetos não tem correspondência exata com o que está sendo desenvolvido em determinada escola. Diferentemente, busca-se agregar, em um único projeto, objetivos, atividades e formas de implantação etc. previstas em mais de um projeto e em mais de uma escola.
[2] Consultar, a esse respeito, os sites: www.ambiente.sp.gov.br e www.sosmataatlantica.org.br – projetos: “Mata Atlântica vai à Escola” e “Plantando Cidadania”.
[3] Neste projeto, desenvolvido em parceria entre CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Cultura e a Fundação Itaú Social: “A partir das reflexões sobre os territórios urbanos e das experiências adquiridas por meio de pesquisas, os jovens investigam e exploram as possibilidades de melhorias para seu próprio território”. (http://ww2.itau.com.br/itausocial/site_fundacao/Juventude/Default.aspx)

Contribuição dos pesquisadores: Marcia e Sebastião.  

Orientações para divulgação de projetos, procedimentos, práticas e ações

A análise do material coletado junto às escolas permitiu que observássemos um conjunto de projetos e práticas que tem se mostrado positivas e com potencial de contribuir com a proteção escolar, a melhora do clima geral das escolas e a disseminação de uma cultura de paz.

Considerando a necessidade e a importância de que todos os projetos contemplassem os critérios listados abaixo, optamos por selecionar 8 (oito) para divulgação entre as escolas.
Não obstante, vários procedimentos, práticas e ações – que, por vezes, estão inseridas em projetos específicos – foram considerados interessantes e adequados e são também indicados para divulgação.

Os projetos e, sobretudo, os procedimentos devem, primeiramente, ser apresentados e discutidos nas respectivas DEs e, apenas posteriormente, divulgados nas escolas.
Parte-se do entendimento de que a aceitação desses projetos e procedimentos, bem como a sua efetiva implementação é uma decisão que cabe à equipe gestora da escola, que, conhecedora da realidade local e das condições e recursos disponíveis na escola, tem plenas condições de avaliar se o projeto é pertinente e tem aderência àquela realidade.

Vale lembrar ainda que:
1.    Sempre que houver professor mediador e comunitário (PMEC) na escola, este pode ser acionado pela equipe gestora como um agente que auxilie na implementação desses projetos e práticas, já que é da essência de seu trabalho zelar pela proteção escolar e pela disseminação de uma cultura de paz nas escolas

2.    Há projetos e práticas que – independentemente de estarem, no momento, fazendo parte do cotidiano das escolas – têm se mostrado necessárias e com potencial de contribuir com a melhoria das relações na escola. São elas:
  • Práticas esportivas, principalmente a organização de campeonatos inter-séries;
  • Aprimoramento do Programa Escola da Família;
  • Ocupação dos períodos de aulas vagas por ausência do professor, com atividades discutidas entre os alunos e / ou aproveitá-las para a discussão de problemas e propostas relacionados à proteção escolar.


Critérios de escolha dos projetos:
1.    Projetos abrangentes: capazes de beneficiar uma quantidade expressiva de membros da comunidade escolar.
2.    Transversais: capazes de integrar várias séries e ou disciplinas.
3.    Com clareza de propósitos / objetivos.
4.    Compatíveis com as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, e com os valores por ele preconizados; bem como por aqueles pretendidos pela SEE e pela SPEC.
5.    Pouco exigentes de recursos: que não demandem financiamento externo e ou aporte significativo de recursos humanos e materiais.
6.    Adaptáveis: aparentemente passíveis de serem replicados em outros contextos e situações.
7.   Bem formatados: com proposta objetiva o suficiente para serem compreendidos e implantados pelos gestores escolares.
8.   PROJETOS[1]

Projeto 1
Incentivo à formação de grêmios escolares

Objetivo: “facilitar e estimular a criação, o fortalecimento e a manutenção de Grêmios Estudantis, com base nos valores dos Direitos Humanos, da justiça social e da democracia”.

Justificativa:
As agremiações estudantis, tradicionalmente, têm um papel importante na socialização dos jovens e têm se mostrado como uma contribuição efetiva para a sua formação e o seu protagonismo político, além da disseminação de valores compatíveis com uma cultura de paz.
Algumas escolas, nas quais a equipe de credenciados da Fundap está acompanhando no âmbito do Projeto Piloto para a Proteção Escolar, apontaram que a existência de grêmios tem efetivamente cumprido este papel, com efeitos visíveis na melhoria do convívio interno, reforçando atitudes de maior respeito e solidariedade e um maior cuidado com o patrimônio.
Considerando:
o   que os projetos das escolas relativos a este tema nem sempre estão descritos de forma objetiva e com o detalhamento necessário à adaptação e / ou replicação das práticas por outras escolas;
o   e a existência de um projeto bem estruturado, e já testado em várias realidades escolares, elaborado pela OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Instituto Sou da Paz;
Optou-se por utilizar como referência para as demais escolas o material elaborado por esse Instituto
Assim sendo, sugere-se que a equipe de credenciados apropriem-se dos conteúdos abaixo indicados, bem como os divulgue entre as escolas.

Fontes de consulta para a implantação do projeto:
Links: downloads; assuntos; formação de grêmios, atuação com municípios
Textos:
a)    Caderno Grêmio em Forma: dirigido para alunos;
b)    Guia Grêmio em Forma: dirigido para professores, coordenadores e diretores de escola;
c)    Texto: O papel dos grêmios estudantis na redução da violência – Daniel Tojeira Cara (2004).


Projeto 2
Meio ambiente da escola

Objetivo: contribuir com a formação de consciência ambiental na comunidade escolar por meio de práticas relacionadas à preservação e ao embelezamento do espaço físico; à coleta seletiva de lixo; à redução do consumo de água etc.

Justificativa:
A discussão da preservação do meio ambiente tem ganhado espaço nos mais diversos fóruns, estando cotidianamente presente nas discussões das políticas governamentais, na mídia e, mesmo, nas rodas de conversa informais.
A percepção de que o meio ambiente não é algo estranho a nós - associado, por exemplo, à conservação de matas nativas, animais, aquecimento global etc. – está sendo objeto de diversas intervenções, incluindo iniciativas bastante promissoras.
Entre elas, destacam-se projetos, publicações e atividades desenvolvidas pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e por organizações não-governamentais, a exemplo do SOS Mata Atlântica[2].
As escolas são um local privilegiado para a discussão das condições do meio ambiente e podem servir como um espaço para reflexão sobre como cada um pode, por meio de atitudes simples e cotidianas, fazer a diferença no todo.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Segue abaixo um conjunto de sugestões de atividades.
  • Organização de grupos de grafitagem, com apresentação de projetos para a pintura de parte das paredes das escolas;
  • Realização de mutirões de pintura;
  • Organização de mutirões de limpeza e conservação de classes;
  • Organização de coleta seletiva de lixo, com possibilidade de venda do lixo reciclável que reverta para a conservação da escola;
  • Organização de mutirões para plantio de árvores na escola e no entorno;
  • Confecção de horta no terreno da escola;
  • Promoção de discussões sobre o tema meio ambiente, por meio de filme “A ilha das flores”, disponível na internet http://tr.im/sert6006.;
  • Montagem de uma composteira, no âmbito de uma discussão sobre destino de resíduos sólidos;
  • Proposição de realização de pesquisas (com participação voluntária) e premiação de iniciativas que tenham potencial de melhoria do meio ambiente da escola e entorno.


Projeto 3
Anti-bullying

Objetivos:
  • Contribuir para o combate de práticas intencionais de agressão, veladas ou explícitas, verbais ou físicas, que ocorrem no ambiente escolar entre os membros da comunidade.
  • Colaborar para a disseminação de valores imprescindíveis para a convivência escolar e em sociedade, como o respeito à diversidade e a não utilização da violência como linguagem.

Justificativa:
De origem norte-americana, bullying (do inglês bully = valentão) é um conceito que busca abarcar de todo um conjunto de comportamentos que envolvem intimidação. Pode ser definido como “um comportamento explícito e agressivo que é intencional, causa danos (físicos e/ou psicológicos) e é repetitivo” (Beane, 2009) ou “um desejo consciente e deliberado de maltratar outra pessoa e colocá-la sob tensão” (Tattum & Herbert, 1993 apud Hyden & Blaya, 2002).
Embora entre os agentes que atuam nas escolas seja recorrente o discurso de que o bullying sempre existiu, a literatura sobre o tema aponta para a sua atual potencialização, gerando conseqüências mais drásticas e envolvendo a utilização das redes sociais virtuais, amplamente utilizadas por crianças e jovens. Recente pesquisa de abrangência nacional (CEATS, 2010) apontou que mais de 10% dos estudantes brasileiros dizem sofrer bullying e quase 30% sofreram algum tipo de mau-trato no último ano.
Diante desse quadro, parece inaceitável que a ocorrência do bullying, com ou sem agressão física, não seja prevista e enfrentada por um sistema de proteção escolar.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Independentemente das atividades consideradas mais adequadas ao contexto da escola, é pressuposto que professores, coordenadores, diretores e funcionários da escola, em geral, estejam preparados para identificar e lidar com situações de bullying.
Para tanto, o aprimoramento da escuta, o trânsito pelo ambiente escolar nos momentos de intervalo de aula, a leitura de material informativo (a exemplo do apresentado pelo Programa da SEE “Prevenção também se ensina”) e a discussão nas HTPC de situações ocorridas de bullying vivenciadas na escola parecem ser de fundamental importância.
Segue abaixo um conjunto de sugestões de atividades para serem desenvolvidas com os alunos, que foram selecionadas a partir de vários projetos anti-bullying já implantados em escolas da rede estadual de ensino.
  • Realização de reunião com pais e alunos para explicar o que é bullying e informar a preocupação e a intenção da escola em intervir no sentido de minimizar o problema.
  • Formação de uma comissão anti-bullying na escola, com representantes de professores e funcionários e de um ou dois alunos de cada classe, escolhidos por seus pares e dispostos (voluntariamente) a envolver-se no projeto.
Essa comissão terá o papel de:
    • Realizar um levantamento / pesquisa na escola para mapeamento da situação de bullying. Esse levantamento deve ser feito por meio de questionário (poucas questões fechadas), sem identificação do respondente, no qual se identifique a dimensão do problema: quantos alunos se sentem vítimas de bullying; em que contexto etc. Os resultados da pesquisa poderão ser apresentados aos alunos em sala de aula e ou por meio dos murais da escola e servir de estímulo à discussão da questão.
    • Promover campanha anti-bullying por meio da confecção de cartazes e organização de apresentações de filmes que abordem o tema.
    • Identificar situações de bullying específicas e relatá-las em reuniões da comissão, para discussão de possibilidades de intervenção, fazendo, posteriormente, o acompanhamento dos casos reportados.
    • Portar-se como referência no caso de alunos que queiram conversar de forma reservada sobre problemas específicos, relacionados ao bullying, encaminhando o problema para os atores competentes, conforme o caso.
  • No início de cada semestre, combinação de normas coletivas de boa convivência na escola. Essa combinação pode ser de forma democrática, em reunião com os alunos em grupos inter-classes, mas com faixas etárias equivalentes.
  • Promoção de estímulos para que os alunos reflitam sobre o tema em sala de aula, usando o bullying como foco de atividades pedagógicas; por exemplo, nos trabalhos de escrita (redação: “e se fosse você?”) e leitura compartilhada.
  • Proposição de realização de uma pesquisa sobre bullying entre os alunos de ensino médio (participação voluntária) com possibilidade de apresentação dos resultados para toda a comunidade. Esses resultados poderiam ser apresentados de duas formas:
    • Como um projeto de criação coletiva, por meio da montagem de uma peça ou da elaboração de um vídeo / exposição de fotos, por exemplo.
    • Como um livro com os textos dos alunos, editado pela escola.
  • Mediação das situações de bullying por meio de rodas de conversas com os envolvidos, após conversas individuais com as partes.


Projeto 4
Aprender conhecendo a comunidade (base: Projetos Jovens Urbanos)

Objetivo:
Proporcionar que crianças e jovens conheçam as localidades onde vivem e se reconheçam como agentes de mudança dessas localidades.

Justificativa:
Tendo por base ações semelhantes às propostas no Projeto Jovens Urbanos[3], algumas escolas têm desenvolvido ações nas quais crianças e jovens são motivados a estudar o meio onde vivem (e ou vivem seus colegas), buscando: entender as suas características; mapear seus equipamentos sociais e culturais; desvendar e refletir sobre seus problemas; e identificar formas de participação que remetam à melhoria das condições locais.
Tem-se como premissas que o (re)conhecimento do espaço potencializa a sensação de pertencimento a uma comunidade, bem como é capaz de motivar a participação e a geração de atitudes favoráveis à melhoria das condições sócio-culturais locais.
Por outro lado, acredita-se que o desconhecimento, e / ou o não-reconhecimento do espaço como parte do seu próprio universo está relacionado ao descaso, à alienação e ao não respeito pela diversidade e pelos direitos individuais e coletivos.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Segue abaixo um conjunto de sugestões:
  • Identificação de como os alunos (e ou toda a comunidade escolar) percebem o local onde vivem: o que conhecem; com quem se relacionam; o que fazem; locais que frequentam; o que gostam; o que não gostam; o que sentem falta; o que temem etc. Essa atividade pode ser realizada por meio de rodas de conversas ou escrita.
  • Proposição de estudos do meio na própria localidade. Estes devem ser organizados previamente (o que observar, o que perguntar etc.), mas podem ser realizados em saídas coletivas (toda a classe ou pequenos grupos) ou individuais. O importante é que os alunos reconheçam o ambiente e tragam elementos para discussão na escola. O apoio de câmeras fotográficas, gravadores para realização de entrevistas e outros recursos dessa natureza é desejável, mas não imprescindível.
  • Proposição de apresentação do material coletado, buscando comparar o “antes e depois” do estudo.
  • Proposição de elaboração de uma representação do espaço – construção de maquetes, por exemplo – elaborada de forma coletiva e exposta para a comunidade escolar.
  • Realização de reflexões sobre o estudo e as experiências decorrentes das atividades anteriores e escolha de uma área ou tema de intervenção coletiva. Sugere-se que os pontos de partida para essa escolha sejam baseados nas reflexões: “o que queremos mudar e o podemos fazer para isso”.
  • Elaboração de um projeto de intervenção, com atividades, metas e prazos de implantação e de acompanhamento.
  • Apresentação dos resultados para a comunidade.

Fontes de consulta para a implantação do projeto:
Texto: Jovens Urbanos - Sistematização de uma metodologia (2008).


Projeto 5
Vídeo 60 segundos: como eu queria que fosse minha escola

Objetivo: estimular a reflexão sobre as necessidades da comunidade escolar e a sua expressão de forma criativa, buscando, por conseqüência, gerar atitudes promotoras de mudanças.

Justificativa:
O fato de passarem grande parte de seu tempo diário na escola, e nela vivenciarem um conjunto de experiências significativas para a sua vida futura, torna esse ambiente um local privilegiado para crianças e adolescentes refletirem sobre seus desejos, perspectivas e valores.
É relevante que faça parte dessa reflexão a problematização do que acontece no espaço escolar: sejam aspectos relacionados à infraestrutura, às normas de conduta, às condições de aprendizagem e às relações pessoais. As expressões de insatisfação, nesse sentido, podem assumir formas variadas, sendo, algumas delas, indesejáveis e geradoras de problemas ainda maiores, como é o caso de alguns conflitos com o corpo discente e o descaso com patrimônio da escola.
Justifica esse projeto a percepção de que poder expressar-se em relação a esses aspectos, por meio de canais legitimados pela comunidade escolar, tende a ser uma forma de direcionar a reflexão e a insatisfação para formas propositivas, gerando sensação de pertencimento e atitudes mais positivas em relação ao ambiente da escola.

Propostas de atividades:
Os grupos de alunos devem ser, preferencialmente, inter-classes.
Os vídeos produzidos participam de um concurso, cujo regulamento define as condições e prazos de gravação e de apresentação e informa a legislação sobre direitos de veiculação de imagens.
A comissão julgadora poderá inserir pessoas de fora da escola, mas que tenham relação com a mesma e ou com o entorno.
Independentemente da premiação, todos os vídeos que cumpram os requisitos colocados no regulamento do concurso serão exibidos na escola no mesmo evento que fará a premiação dos vídeos selecionados. Este evento poderá ser aberto aos pais e comunidade (a critério da escola).
Os alunos poderão utilizar equipamento próprio (celulares e câmeras) ou equipamentos emprestados pela escola, de acordo com a disponibilidade local.


Projeto 6
Quem sou eu / quem é você

Objetivo:
Favorecer o relacionamento entre os alunos e entre estes e seus professores, propiciando um clima de maior familiaridade e bom convívio na escola.

Justificativa:
O projeto baseia-se na hipótese de que, na medida em que os alunos passam a se conhecer melhor e a conhecer a história de vida de colegas, familiares e professores, cria-se um laço afetivo que contribui para a redução de casos de bullying e para a geração de atitudes de maior respeito mutuo.
Nos locais onde já foi implantado observou-se uma redução de “panelinhas” nas salas de aula, um melhor entrosamento entre alunos e estes e os professores, além de maior freqüência e rendimento escolar.

Propostas de atividades:
Dirigido aos alunos das séries iniciais, que muitas vezes mal se conhecem, o projeto propõe a montagem de um álbum / anuário da classe, no qual cada aluno é convidado a participar, elaborando uma página sobre quem ele é: seus dados pessoais, fotos, poemas ou frases que gosta, hobbies, grupos ou músicas preferidas, programas que assiste, o que faz nas horas vagas e tudo aquilo que o descreva e que ele considere importante.
Os professores da sala são igualmente convidados a participar, o que tende a torná-los mais próximos dos alunos.
Quando pronto, cada aluno pode levar o livro para casa por alguns dias para conhecer melhor seus colegas e mostrá-lo à família.


Projeto 7
Adolescer – Amor nos tempos modernos

Objetivo:
Informar os alunos em relação às suas dúvidas sobre sexualidade e promover senso de responsabilidade sobre a saúde individual e coletiva, por meio de práticas preventivas de DST/AIDS.

Justificativa:
A transição da infância para a adolescência traz consigo um conjunto de dúvidas a respeito de aspectos associados à sexualidade que envolve desde como relacionar-se com os(as) parceiros(as) de forma afetivo-amorosa até os aspectos sobre a fisiologia humana e as práticas preventivas.
Ainda que ações dessa natureza sejam desenvolvidas com regularidade em programas da área de saúde nas unidades básicas, a escola aparece como um local privilegiado para discussão desses aspectos, tendo em vista o período e a intensa convivência de crianças e jovens no ambiente escolar, justificando-se uma intervenção específica nessa área.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a faixa etária dos estudantes envolvidos e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Seguem abaixo um conjunto de sugestões de atividades.
  • Colocação de caixas de dúvidas onde os alunos possam, sem identificação de nome, manifestar suas dúvidas e anseios em relação à sexualidade. É desejável, nesse caso, que haja identificação de faixa etária, para que as respostas possam ser direcionadas em salas de aula.
  • Promoção de estímulos para que os alunos reflitam em sala de aula, com a organização de dinâmicas e escuta ativa relacionadas ao tema da sexualidade e homofobia.
  • Proposição e disponibilização de material informativo para leitura (boletins informativos, cartilhas, livros) e áudio visuais, a exemplo dos produzidos no âmbito do Programa “Prevenção também se ensina” e pela Organização Não Governamental ECOS – Comunicação em Sexualidade.
  • Organização de visitas dos alunos (coletivas e voluntárias) aos equipamentos de saúde da localidade que desenvolvem Programa de Saúde do Adolescente; e ou de agentes de saúde à escola para informação sobre o Programa.
  • Proposição de rodas de discussão quando algum tema relacionado à sexualidade aparece de forma negativa com destaque na mídia.
  • Proposição de realização de pesquisas sobre sexualidade entre os alunos de ensino médio (participação voluntária) com possibilidade de apresentação dos resultados para toda a comunidade escolar, por meio de peças, elaboração de vídeos, exposição de fotos, cartazes etc.


Projeto 8
Sonhar é possível

Objetivos:
  • Motivar o aluno a refletir sobre suas perspectivas de um futuro que seja pautado em valores éticos e de cidadania, tendo como base os saberes que adquire na escolarização formal e ou fora dela.
  • Auxiliar práticas de planejamento e foco para o alcance de objetivos.

Justificativa:
É recorrente entre os jovens de escola pública, com histórias de vida marcadas por situações de vulnerabilidade, a descrença na possibilidade de exercerem, no futuro, atividades que sejam reconhecidas por eles próprios como desejáveis e adequadas.
A falta dessa perspectiva, por vezes reforçada pelo universo familiar e pela própria escola, tende a tornar crianças e jovens menos confiantes em relação às suas potencialidades e minimizar seu senso de auto reconhecimento.
Decorrente disso, atitudes de indisciplina, desânimo com os estudos, agressividade e mesmo a desistência de dar seguimento aos estudos tendem a ser frequentes.
Intervir nessa perspectiva, tentando despertar nos alunos o desejo de busca por novas perspectivas de futuro, bem como ajudá-los no planejamento dessa busca, pode constituir-se num fator de proteção para eles e para todo o ambiente escolar.

Propostas de atividades:
Dirigido aos alunos do ensino fundamental II e médio, o projeto propõe que os alunos reflitam, inicialmente, sobre algumas questões, tais como: “qual é o seu sonho? O que você pensa em fazer para alcançá-lo? Em sua opinião, a escola pode contribuir para atingir esse sonho? De que forma? E a sua família?”
Essa reflexão pode ser estimulada de diferentes formas. Uma delas é por meio de filmes, tais como: “Quem quer ser um milionário”, “Billy Elliot”, entre outros.
Feita a reflexão, os alunos são convidados a reescrever seus sonhos na forma de metas que possam ser monitoradas por eles próprios ao longo do ano. Professores, professor mediador, coordenadores pedagógicos e direção podem auxiliá-los nessa empreitada.

PROCEDIMENTOS E IDEIAS DE ATUAÇÃO

Algumas observações iniciais:
1.    Alguns dos procedimentos e ações abaixo listadas dependem de condições específicas das escolas; entre as quais: recursos humanos e materiais, condições de infraestrutura, bom relacionamento prévio com o entorno etc.
Cabe, assim, a ressalva de que os procedimentos devem ser analisados caso a caso pelos supervisores de proteção escolar das DEs e, posteriormente, pelas equipes gestoras das escolas, que decidirão sobre a sua viabilidade e pertinência no local.
2.    Sempre que houver professor mediador e comunitário (PMEC) na escola, é seu papel protagonizar ações dessa natureza, de modo a que exerça plenamente os objetivos de sua atuação e não sobrecarregue a equipe gestora e os demais profissionais da escola com atividades que extrapolam as suas funções e peculiaridades.


Procedimento 1
“Palavras mágicas”

Objetivo:
Desenvolver o respeito e o cuidado no relacionamento escolar, a partir de atividades realizadas junto aos alunos do ciclo 1.

Justificativa:
O relacionamento no ambiente escolar cumpre papel fundamental para o processo educativo de crianças e jovens. Assim, a forma como elas tratam os demais e como se tratam entre si deve ser trabalhada a partir das noções de respeito e educação.
Para além de citá-los, o que é comum a maioria das escolas, a ideia é inserir as crianças menores – mais dispostas a atividades dessa natureza – em atividades lúdicas, para além da repetição de falas sobre boa educação.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser voltadas para as crianças do Ciclo 1 e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
Seguem abaixo um conjunto de sugestões de atividades.
  • Montar uma caixa, na qual se podem colocar papéis escritos com palavras sugeridas pelos alunos;
  • Realizar atividades a partir das palavras escolhidas previamente pelos alunos, o que os faz participantes e, ao mesmo tempo, ajuda a entender como eles percebem o tema;
  • Incentivar os alunos que sortearam determinada palavra (obrigada, por favor, etc.) a utilizá-la ao longo do dia;
  • Incentivar os professores a lecionar textos que reflitam atitudes de respeito – se possível, textos que utilizem explicitamente a palavra sorteada pelos alunos;
  • Montar atividades como peças teatrais ou pequenas encenações nas quais a palavra seja utilizada e sua importância explicitada por meio do impacto sobre os personagens retratados. Por exemplo, uma cena que explicite como o respeito entre as pessoas é importante para o desenvolvimento da boa relação entre elas, evita brigas, desentendimentos, mal-estar de alguém que o aluno goste etc.


Procedimento 2
Discussões reflexivas com a comunidade escolar

Objetivo:
Trabalhar com um conjunto de alunos os conceitos mais importantes que permeiam suas relações, buscando entender e refletir sobre como elas são percebidas, as suas principais dificuldades e formas de torná-las mais positivas para todos.

Justificativa:
É recorrente os alunos se sentirem pouco acolhidos no ambiente escolar, tão importante para a sua formação. O fato das regras de convivência e aprendizado serem ditadas pela diretoria e/ou pelos professores pode trazer ao aluno a sensação de um mero cumpridor do papel a ele apresentado.
A idéia de realizar discussões reflexivas é abrir um espaço, com profissionais qualificados, no qual as crianças e jovens possam se expressar, trocar experiências e aprender como lidar com situações difíceis de seu dia-a-dia, inclusive na relação com a gestão escolar e o corpo docente.

Propostas de atividades:
  • Realizar, a cada 15 dias, com grupos de no máximo 20 alunos, encontros com profissional qualificado (pode ser, por exemplo, o professor mediador com qualificação para tal atividade) na qual os alunos possam se expressar e serem ouvidos;
  • Selecionar conceitos e idéias que sejam importantes para a reflexão junto aos alunos;
  • Fazer da atividade uma rotina para todo o grupo e não apenas para os alunos considerados “problema”. A idéia é que qualquer aluno pode encontrar dificuldades no relacionamento escolar e em outros aspectos de suas vidas, sendo a violência e a incivilidade umas das formas de se extravasar esses problemas.


Procedimento 3
Discussão de normas e condutas com os alunos

Objetivos:
Disseminar e conscientizar os alunos a respeito das normas de convivência da escola, informando o motivo de sua existência e, ao mesmo tempo, escutar sugestões e reclamações que possam contribuir para uma gestão escolar democrática.

Justificativa:
Não obstante possam conhecer as normas de conduta escolar, os alunos não se sentem como parte fundamental para que sejam devidamente aplicadas, nem tiveram oportunidade de discutir o motivo de sua existência. A partir de fóruns e reuniões específicos sobre o tema, é possível que os alunos se manifestem e, na interação com os gestores, possam assumir que essas normas têm como objetivo final a própria convivência produtiva e prazerosa entre todos, comprometendo-se com o seu cumprimento.

Sugestão de procedimento:
O formato das discussões pode ser o de reuniões ou de fóruns, de acordo com e estrutura e o planejamento local. É importante que não sejam apenas explicações a respeito das normas, mas discussões sobre ela, em que os alunos encontrem canais para a expressão de suas críticas e sugestões. É importante também, para que esse tipo de procedimento tenha resultado, que essas sugestões possam, caso façam sentido no processo de melhora da convivência, ser acatadas pelo corpo diretivo. Caso haja possibilidade, esse fórum pode envolver a comunidade escolar como um todo, com a presença de pais e responsáveis.


Procedimento 4
Mediação de conflitos pela equipe gestora

Objetivo:
Instaurar outra forma de resolução de conflitos que não se baseie exclusivamente na punição dos envolvidos, mas na responsabilização e na restauração como forma de criar um ambiente de convivência mais pacífico.

Justificativa:
A prática da justiça restaurativa e da mediação de conflitos tem sido apontada como uma das mais promissoras na gestão de conflitos. Diferente da perspectiva tradicional, que se apóia na punição como forma de solucionar e evitar conflitos, ela pressupõe que os conflitos são inevitáveis e que é a convivência pacífica deve ser alcançada por todos e não apenas pela autoridade constituída. No caso das escolas, é importante que os alunos envolvidos em conflitos ou com atos danosos sejam levados a refletir sobre as consequências dos seus atos, sua responsabilidade e as maneiras como poderiam restaurar os danos que infligiram aos demais. A mediação não exclui a prática da punição, apenas apresenta uma alternativa de resolução dos conflitos.

Execução:
Não obstante se apresente como uma postura diferente frente aos conflitos, a mediação demanda capacitação e preparo dos executores para que seja aplicada com responsabilidade. O formato de roda de discussão é apenas um dos possíveis para a mediação. Sugere-se que seja feita a leitura dos textos Conflito e Violência: O que a escola tem a ver com isso?, de Mônica Mumme e Justiça Restaurativa, de Cristina Meirelles (constantes no CD de capacitação entregue aos credenciados no início do projeto).


Procedimento 5
Espaço de livre expressão dos alunos (“O espaço é nosso”)

Objetivo:
Oferecer aos alunos um espaço de expressão visual livre e com visibilidade, buscando aumentar a sensação de pertencimento e cuidado com o ambiente.

Justificativa:
As escolas não costumam oferecer espaços de expressão visual aos alunos. Quando querem fazê-lo, muitas vezes os alunos lançam mão da pixação ou do vandalismo. Uma maneira de aumentar o cuidado com a escola e, ao mesmo tempo, incentivar a expressão visual, é permitir que espaços sejam utilizados como canais de livre expressão, constantemente renovados.

Sugestões de ação:
Uma das formas mais simples para por em prática esse espaço é um mural num local de grande visualização da escola (não adianta ficar num local escondido). Embora seja livre, a utilização do espaço de forma racional exige algumas condutas que devem ser coletivamente construídas em reuniões com os alunos. As normas não podem ser rígidas demais, de forma a cercear a livre expressão dos alunos, mas também devem permitir que todos se expressem de maneira compatível com a educação e a boa convivência.
O espaço deve ser periodicamente renovado, pelo menos quinzenalmente, o que torna o projeto mais dinâmico e abre espaço para que mais alunos possam preenchê-lo.


Procedimento 6
Envolvimento da comunidade na manutenção da escola

Objetivos:
  • Contribuir para a manutenção da ordem e para a arrumação do ambiente escolar, garantindo que a escola seja um ambiente cuidado e receptivo;
  • Fomentar nos alunos e nos seus pais e responsáveis a sensação de respeito e pertencimento, apontando para a importância do seu protagonismo na construção de uma escola bela e agradável.

Justificativa:
A manutenção da estrutura física da escola é muito importante para um clima positivo nos relacionamentos e no processo educativo. É bastante perceptível que em escolas mal cuidadas, com estrutura física abandonada, há pouco incentivo para os alunos cuidarem do espaço no qual estão inseridos. Não só porque a bom estado serve como exemplo para os alunos, mas principalmente porque, ao encontrarem o espaço bem preservado, os alunos se sentem mais acolhidos e responsáveis.
A Secretaria de Estado da Educação, reconhecendo essa premissa, já desenvolve o “Programa Trato na Escola”. “um projeto especial que tem como objetivo proporcionar que as escolas comecem o ano novo com cara nova, o que envolve desde a pintura dos prédios, projetos paisagísticos, pequenos reparos até a higienização das unidades.
Segundo a SEE, “a participação da comunidade na iniciativa já é uma tradição. Todos os anos pais e alunos somam esforços à Secretaria para que a volta às aulas aconteça num ambiente agradável, o que favorece o processo educacional”.
Enfim, o envolvimento da comunidade nesse processo tende a ter efeitos muito positivos: promove uma maior interação entre escola, pais e alunos; bem como contribui para que a comunidade se sinta parte da escola, demonstrando orgulho por isso, e que possa transmitir tal sentimento para seus filhos e parentes.

Propostas de atividades:
As atividades devem ser organizadas de acordo com a disponibilidade da comunidade e sua distribuição no calendário escolar deve ser compatível com o planejamento pedagógico de cada localidade / escola.
  • Agendar com os pais ou responsáveis alguns dias, com alguma periodicidade (por exemplo, um sábado por bimestre), nos quais eles estejam na escola para colaborar com pequenos consertos e melhorias que são capazes de executar (pintura, arrumação, jardinagem etc.);
o   Realizar, concomitantemente ao trabalho, atividades de interação, como um almoço coletivo (no qual cada um poderia trazer algum alimento ou bebida) ou uma atividade lúdica, como uma apresentação de música dos alunos, um teatro, esportes etc.;
É importante garantir que essas atividades sejam vistas e realizadas, não como uma transferência de responsabilidade pelo espaço escolar para os pais e a comunidade, mas como um processo de aproximação e contribuição para garantia dos cuidados que a escola e, principalmente, como algo que os alunos merecem.
Entre as ações listadas no Programa Trato na Escola, destacam-se:
  • “Pintura
  • Serviços nas instalações hidráulicas (troca de torneiras avariadas, tubos flexíveis, reparo de válvulas, troca de cubas e louças sanitárias);
  • Recolocação de pisos e azulejos faltantes;
  • Substituição de fechaduras, tambores, maçanetas, dobradiças e trincos;
  • Desentupimento de tubulações de esgoto;
  • Troca de vidros;
  • Remoção de entulhos;
  • Limpeza de canaletas junto aos muros de arrimo e/ou divisa;
  • Limpeza de galeria de águas pluviais;
  • Limpeza de calhas e coletores;
  • Limpeza e impermeabilização de caixa d'água;
  • Limpeza e desobstrução de fossas sépticas;
  • Limpeza de caixas de gordura;
  • Limpeza geral das áreas comuns, salas de aula e banheiros;
  • Manutenção e conservação de jardim;
  • Higienização sanitária;
  • Conserto de portões;
  • Substituição de portas de madeira, batentes e lambril;
  • Conserto e aquisição de grades e telas de proteção para portas e janelas;
  • Conserto de equipamentos da quadra de esportes;
  • Aquisição de telhas para reposição
  • Limpeza e troca de carvão dos filtros de bebedouros;
  • Aquisição e instalação de divisórias e toldos;
  • Recarga de extintores de incêndio;
  • Reposição de forros;
  • Aquisição e instalação de alambrado;
  • Aquisição de vasos de plantas;
  • Aquisição de bancos de concreto para jardim.


Procedimento 7
Busca de diálogo com os pais de alunos com problemas de frequência, indisciplina etc.

Objetivo:
Tentar estreitar a relação da escola com os pais ou responsáveis de alunos que não têm frequência, comportamento ou performance satisfatórios, de forma a demonstrar que há interesse genuíno da escola no cuidado com esse aluno.

Justificativa:
Um relato muito comum dos gestores e docentes escolares é que os pais de alunos que frequentam as reuniões propostas são aqueles cuja performance e o comportamento são menos problemáticos. Assim, pais ou responsáveis de alunos com problemas de evasão ou comportamento se mantêm ainda mais afastados da escola. A ideia desse projeto é buscar um canal de diálogo com esses pais, buscando compreender problemas que podem estar relacionados à conduta dos alunos e, assim, aumentar a sensação de pertencimento.

Procedimento sugerido:
  • Identificar os alunos que estão com problemas pedagógicos e/ou comportamentais, além daqueles com alto índice de ausências.
  • Contatar os pais com o intuito de estabelecer relações; ou seja, não como uma denúncia do comportamento do filho, mas para construir possibilidades de mudança do cenário.
  • Caso o gestor perceba necessidades não atendidas, orientar os pais ou responsáveis no sentido de buscarem apoio na área de seguridade social, saúde ou assistência legal.
Caso a gestão escolar considere necessário, e desde que haja recursos humanos e materiais disponíveis na escola, esse procedimento pode incluir a programação de visitas às famílias.
Também é importante considerar a necessidade de contatos com o Conselho Tutelar da localidade, em casos de ausência continuada do aluno, bem como na identificação de casos de omissão, abandono e ou maus tratos por parte dos pais.


Procedimento 8
Música e celular são legais!

Objetivo:
Por meio da própria música, conscientizar os alunos para o uso adequado dos aparelhos celulares no ambiente escolar, melhorando o clima geral da escola.

Justificativa:
A utilização de dispositivos para ouvir música, agora contemplados em boa parte dos telefones celulares, é considerada um grande problema nas escolas. Além de trocarem mensagens e conversarem, os alunos ouvem música durante as aulas ou outras atividades escolares (laboratório, sala de leitura, esportes etc.), o que cria sérios problemas.
Por meio de reuniões com os alunos sobre o uso adequado desses aparelhos, parece possível permitir que os alunos ouçam música, desde que essa prática se restrinja aos períodos de intervalos ou outros períodos livres. Dessa forma, pode-se suscitar a percepção de que essa é uma prática rica e prazerosa, desde que feita em momentos adequados, sem prejudicar o grupo que o cerca.

Atividades propostas:
Junto de reuniões a respeito da utilização do celular, identificar os gostos musicais dos alunos e, com a utilização de equipamentos da própria escola, executar músicas durante o intervalo e outros momentos livres oportunos. O ideal é que haja revezamento de estilos e que todos sejam, em algum momento, contemplados, o que também serve como estímulo à diversidade cultural.


Procedimento 9
Presença da equipe escolar no intervalo

Objetivo:
Intensificar a interação entre o corpo administrativo da escola e os alunos, além de supervisionar com mais cuidado um período de atividade livres, no qual é mais comum a ocorrência de conflitos violentos ou práticas danosas, como o bullying.

Justificativa:
O intervalo é o período no qual os alunos têm mais liberdade durante a jornada escolar. Embora seja fundamental que essa possibilidade seja garantida, é nesse período que ocorrem muitos conflitos violentos entre os alunos, principalmente aqueles que envolvem a submissão de alguns, como a prática do bullying.
A presença da equipe durante todo o intervalo pode ser não apenas uma forma monitorar esses conflitos, mas também – e principalmente – uma oportunidade para intensificar a relação com os funcionários e com a direção da escola.

Proposta de ação:
Tem-se clareza de que essa prática depende de a escola contar com recursos humanos suficientes e com a disponibilidade prévia da comunidade, não podendo tal ação ser imposta aos funcionários de qualquer nível que não tenham tal obrigação.
Ainda assim, o ideal é que haja participação de diversos membros da equipe escolar, ainda que em caráter de revezamento, e não apenas dos agentes de disciplina (inspetores). Outro ponto fundamental é que essa presença seja marcada por conversas e outras formas de relação com os alunos e não como um dispositivo de vigilância que busca restringir a liberdade, o que fugiria completamente do seu espírito original.


Procedimento 10
Presença dos professores nas salas de aula antes da entrada dos alunos

Objetivo:
Melhorar a interação entre professores e alunos por meio de uma rotina de troca de aulas mais amistosa e que diminui o período de espera ociosa dos alunos.

Justificativa:
Os alunos, usualmente, permanecem um tempo considerável ociosos, aguardando a presença do professor em sala de aula. Nesse período podem ocorrer atitudes de indisciplina e agressivas sem qualquer tipo de supervisão.
A presença do professor em sala de aula, antes do aluno, tem um caráter tanto de acolhimento, quanto de acompanhamento. Os alunos tendem a se sentir relevantes, percebendo a importância que o professor e a escola lhes conferem.

Forma de aplicação:
Tem-se clareza de que essa prática depende de a escola contar com recursos humanos em número suficiente e com a disponibilidade prévia dos professores, não podendo tal ação ser a eles imposta.
Considerando tais aspectos e os resultados alcançados por escolas da rede estadual que adotaram tal prática, sugere-se que a partir de uma iniciativa dos gestores das escolas, seja acordado entre os professores que o deslocamento para a sala de aula seja, sempre que possível, feito antes do horário de início da aula.


[1] A descrição dos projetos não tem correspondência exata com o que está sendo desenvolvido em determinada escola. Diferentemente, busca-se agregar, em um único projeto, objetivos, atividades e formas de implantação etc. previstas em mais de um projeto e em mais de uma escola.
[2] Consultar, a esse respeito, os sites: www.ambiente.sp.gov.br e www.sosmataatlantica.org.br – projetos: “Mata Atlântica vai à Escola” e “Plantando Cidadania”.
[3] Neste projeto, desenvolvido em parceria entre CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Cultura e a Fundação Itaú Social: “A partir das reflexões sobre os territórios urbanos e das experiências adquiridas por meio de pesquisas, os jovens investigam e exploram as possibilidades de melhorias para seu próprio território”. (http://ww2.itau.com.br/itausocial/site_fundacao/Juventude/Default.aspx)

Contribuição dos pesquisadores: Marcia e Sebastião.  

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